• 5 de Abril, 2025

Feminismo, um olhar! – Mbanza Hanza

 Feminismo, um olhar! – Mbanza Hanza

O Feminismo é uma luta urgente e necessária das mulheres que encontra justificação no passado histórico que a mulher e o homem preto viveram.

A destruição de que fomos vítimas, o desligamento que sofremos dos nossos termos, códigos e identidade1 causou uma profunda desorientação na consciência colectiva do negro e na forma como se vê no mundo.

Uma desorientação que produz no subconsciente de cada um de nós uma tendência irascível de nos tornarmos outros, a necessidade incessante de manifestarmos o colonizador em nós. Não tendo nos sobrado muitas alternativas, temos sido vítimas de nós mesmos ao concebermos no colonizador a nossa porta, nossa janela e o nosso tecto para o mundo.

E quem é este colonizador?

O originário do «Pater Familiae» da Roma antiga, um patriarca que tinha “vitae necisque potestas” poder de vida e de morte sobre os seus, sobre a esposa e os filhos, que podia vendê-los, batê-los ou até mesmo matá-los como bem quisesse sem sofrer represália nenhuma 2.

É esta a mentalidade que moldou o homem europeu que nos veio colonizar. É claro que muitos no movimento feminista preferem ver o patriarcado como sendo obra do negro atrasado que sempre teve muitas esposas feito um sultão, esquecendo-se que tal negro se diferencia dos hebreus por exemplo que segundo Joseph Campbell foram os primeiros “a usar o termo pai para denominar o que até então era a Deusa Mãe ou Mãe Terra, a religião entre os antigos que cultuavam a mulher3”, sendo estes antigos, sem dúvidas, os afrikanos, pois Cheik Anta Diop nos diz efusivamente que o “sistema matriarcal é a base da organização social no Egipto e em toda a África Preta4.”

Vemos a partir daqui que a origem do patriarcado está justamente na civilização que tomamos como modelo de elevação moral e tratamento igualitário entre homem e mulher.

A actuação do colonizador deixou sequelas de brutalidade, da coisificação do nosso mais profundo ser, da negação do estatuto de homem e todas as outras mazelas que regaram a colonização, aliadas à nossa auto-negação e auto-ódio, fazem de nós a raça mais desarticulada, mais desorientada e que mais importa, desde a identidade, lutas e problemas.

Bem, embora seja uma luta necessária e urgente para a mulher negra, uma vez que o seu coigual negro revela-se agressivo e desorientado, o feminismo ainda assim é uma luta que tem pilares fora de Áfrika e a sua terapia é uma incubadora de problemas, que ao invés de emancipar vai desaculturar, desorientar e desenraizar cada vez mais a mulher negra de quem ela é.

A semântica que constitui o Movimento Feminista tem um passivo racista, exclusivista e supremacista. É uma semântica eurocêntrica, tornando tal luta, numa luta de emancipação da mulher branca perante o homem branco. Um dos argumentos que muito se levanta contra o feminismo é o facto de na altura em que o feminismo nascia (1857), as mulheres pretas ainda serem escravas e o movimento não as levou em conta. Elas continuaram sendo escravas até ao século 20.

Mulheres feministas tinham serventes pretas na condição de escravas a trabalhar para elas. Mas será que isso é importante mesmo?

Tien Eduardo questionou numa palestra a 21 de Outubro de 2017 “por que as mulheres não criam movimentos de matriz africana para defender a emancipação da mulher preta?

Movimentos que se baseassem no perfil de heroínas, rainhas, profetizas e mulheres poderosas negras? Movimentos como «Ashantismo», «Nzinguismo», «Kimpavitismo» ou «Hatsepsetismo»?

Pois, todos os movimentos que não sejam de matriz africana [empenhando-se para a causa preta] não irão dar certo5.

“Mbanza Hanza, O Grande Elefante, FPR!

07 de Janeiro de 2022

Artigo originalmente escrito a 15 de Março de 2018.

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